Um clarinete esganiçou-se à distância. Mozart? Pássaros. Era um chilrear de liberdade, enquanto a madrugada
cantava. Habitavam ali, como que em um conjunto natural, em meio a todo aquele
lugar seco. O refrigério só aparecia naquele momento. A madrugada flauteava
docemente, e com arrebatamento, sua melodia. Propiciamente para aquelas
vociferações de liberdade.
Quando
atingiram o ré maior de Tchaikovsky, experimentaram ser deuses. Elevaram-se, e
voaram tão alto que os olhos já não podiam vê-los. Mas, ainda assim,
continuavam a soar docemente os violinos. Os que não detinham a capacidade de
ascender permaneciam bonançosos e serenos.
Agora, nos
céus, viam todos os astros. Viram que tudo mantinha-se ali. As galáxias
perduravam, protegidas. De repente, como que se tudo lentamente parasse,
reflexionavam e podiam ver a própria alma. Voavam, e iam mais alto. Tão alto
que, a própria música, despiu-lhes a audição. Cantavam, agora, com ainda mais
vivacidade. Com tal qualidade de leveza, tocaram aos ouvidos surdos de
Beethoven.
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Vesica Piscis in Space |
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